sábado, 8 de junho de 2013

Exorcisando Defeitos


Mais um post da série “Exorcisando Defeitos”!
Tenho vários...
Também tenho qualidades, mas é muito mais divertido rir de nossos defeitos do que ficar elencando as qualidades.
Nossas qualidades fazemos questão de mostrá-las, mas os defeitos não.
E vocês que me acompanham sabem que sou prendada em diversas áreas. Mas desconhecem minhas mazelas. Aqui no blog apresento somente algumas delas, as mais leves e tal...
As mais terríveis – mas não são muitas, não se assustem... – eu deixo pros mais íntimos.
Coitados...

Eu tenho um problema sério.
Sim, eu sei, vocês sabem...todos temos problemas.
Alguns são passíveis de resoluções rápidas e descomplicadas.
Outros dependem de terceiros para serem eliminados com sucesso.
O meu problema se encaixa numa terceira categoria. A categoria dos problemas que, para serem extirpados de vez, só depende de você mesmo!
Estou numa idade que começo a acreditar que estes entraves que dependem exclusivamente de nós mesmos são os piores a serem resolvidos.
Porque?
Porque a maioria de nós tem a irritante e brasileira mania de deixar pra amanhã.
‘Porque fazer hoje o que você pode fazer amanhã’?
Uma pergunta Glau: Você tem essa mania?
Ah, caro leitor. Obrigada por perguntar.
O que você acha?
Sim...eu tenho esta mania...e impregnada até os ossos.

Vamos aos fatos, num pequeno exemplo:
Saí de casa no final de semana com o foco de fazer encomendas de salgadinhos para o aniversário de 2 aninhos da Cecília numa padaria perto de minha casa. Chegando lá, havia um casal fazendo pedidos. Aproveitei para comprar um pão, enquanto Cecília cumprimentava a todos na fila, pegava produtos nas prateleiras e ‘limpava’ o chão do estabelecimento com a roupa. Um anjo. Enquanto isso, o casal seguia encomendando salgados e doces para um Beira-Rio lotado, tamanha a demora do pedido... Juntei minha paciência curta e a Cecília do chão, paguei o pão e me fui rumo a casa.
– Porque encomendar hoje o que posso encomendar amanhã?

Isso, Glanilci Barros. Faça isso!
E foi o que eu fiz.
Resolvi fazer o pedido por telefone.
Liguei para a padaria, encomendei e pedi o valor, pra poder levar o dinheiro certinho.
Para minha - péssima - surpresa, os valores subiram.
Claro que subiram!
Poderia eu, tendo deixado pra fazer amanhã, ter a sorte de encomendar os benditos salgadinhos sem sobressaltos?
Certo que não!
Aí vem à mente minha imagem dentro da padaria, às portas do atendimento e minutos depois desistindo de realizar aquilo que deveria ser feito.

O cansativo disso tudo é que eu me conheço. Quantas vezes já agi assim? Muitas!
Várias!
Todas!
Mas parece que não o suficiente para mudar este tipo de comportamento.
Porém, pelas estatísticas – e hoje somos todos uma estatística ou fazemos parte de algumas delas – tenho a expectativa de viver o equivalente do que vivi até aqui. Isso muito me alegra, pois tenho chances de mudar, de reverter o quadro.
E lá pelos 70, 80 anos, poderei deixar de fazer alguma coisa não pelo ‘marvado’ ditado do deixe pra depois, mas sim por esquecimento.
Bem mais digno!



segunda-feira, 27 de maio de 2013

Quase Milionária


(escrita em 8/mai/2013)

Uns dias atrás estava dizendo que, se fosse pra ganhar uma grana, que seja pra ficar milionária.
Sim, porque com a idade que tenho e toda a sorte de carnês, boletos e seus malditos códigos de barras que tenho pra pagar, acredito que ficar somente rica já não será o suficiente.
Os indefectíveis risquinhos pretos se acumulam em gavetas, agendas, porta-correspondências e por aí vai.
Mensalidade de creche, mensalidade de colégio, internet, telefone, roupas, brinquedos, mensalidade do carro (outro filho...só falta sentar na mesa!), gasolina, seguro do carro, assinatura do jornal, supermercado...e por aí vai o escoamento de todo o meu salário!
Rica facilitaria, mas não seria solução...
A ordem é ficar milionária!
Hoje uma colega aqui da secretaria nos instigou a fazermos um bolão da mega-sena. Nunca o fiz. Não que tenha algo contra. Simplismente esqueço que posso tentar a sorte.
Então reunimos mais alguns colegas e estamos concorrendo a uma bolada de dinheiro.
Ganharemos, cada um dos participantes do bolão, algo em torno de 1 milhão e oitocentos mil (escrevi pra não me perder nos zeros...).
O resultado sairá às 18h. Agora são exatamente dez pras cinco.
Ou seja, antes de terminar este texto e antes mesmo de ir para casa, poderei estar um milhão e oitocentos mil mais rica, ou melhor, milionária (mais é boa...)
Guardadinha no banco, esse ‘faz-me rir’ me renderia, por mês, mais ou menos o equivalente a 190, 200 mil reais por mês (Eike deve estar rindo de mim...)
Mas essa quantia me deixaria milionária? Hein? Responda Eike!
A pessoa que ganha o BBB não fica milionária...
Tá bom...ficarei muito rica, quase milionária.
Já dá um bom equilíbrio financeiro, né não?
Aí veio a questão:
Qual a primeira coisa que eu farei com este dinheiro?
Na lógica, pagar as contas.
Mas esse é um gesto de pobre. Pobre que vai de banco em banco e de loja em loja pagar suas dívidas.
Talvez então a primeira coisa que farei será contratar um secretário que irá realizar estas tarefas mais pobrinhas pra mim.
E a mim restará ficar em casa, de pernas pro ar, tramando como vou gastar esse dindin caído do céu.
Tá, chega de delírio e vamos ao sorteio.
Antes, um aviso:
Caso eu não volte a escrever por aqui, saibam que estou fazendo coisas de gente que tem grana e eu não tenho notícia de um blog das Mulheres Ricas, o que dirá das Mulheres Milionárias...

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segunda-feira, 29 de abril de 2013

De Amores e Chatices



Texto confuso.
Devaneios.
Vários assuntos que se completam. Ou não.
Se tiver a fim...lê, no problem...
Mas não me peça coerência e encerramento com lógica.
To meio lesada hoje...
Hoje...ah, tá!

Nos últimos dias tenho pensado muito no amor.
Não no meu amor, que tem um jeito manso que é só seu...(ai...olha o plágio...)
Tenho pensado no amor sentimento. Sentimento lindo. Sentimento nobre.
Como não somos iguais ao longo de nossa existência, também não é o amor que sentimos.
Por isso amo hoje diferente de como amava antigamente.
E acredito que amo melhor.
Mudei quando saí da adolescência...quando virei mãe, quando perdi pessoas queridas. A cada mudança brusca ou significativa na nossa vida, também mudamos, mesmo que às vezes seja essa mudança quase imperceptível.

Conversa comprida essa. Dá pra filosofar sem chegar a nenhum lugar...

Na verdade vou contar uma coisa: eu era uma chata!
Acredita?
Logo eu, que sempre me achei tão bacana, tão legal, tão pra frentex, já fui apontada como chata.
Uma chata, cara...que coisa, hein?
E me disseram na cara dura, sem aviso prévio!
Foi mais ou menos assim:
- Tu sabia que te acham uma chata?
- Oi? Ahahahaha
- ...
- kkkkkkkkkkk
- ...
- SHUAHSHUAHSHUAHshuashushshuahshuashuahshuahsuhasuhas..........
- ...
- O que???? Ah! Não é uma piada? Acham mesmo? Assim, na 3ª pessoa do plural? Então são várias pessoas? E eu, na minha humilde chatice, posso saber QUEEEEM são essas pessoas?

Fiquei sabendo de uma pessoa...mas quantas outras não me acham chata também?
Fiquei sem chão! Como assim?
E assim passei pelos cinco sentimentos que uma pessoa que está com a morte batendo à sua porta passa:

Negação e isolamento – raiva – barganha – depressão – aceitação

Ah, mas peraí: por acaso achei eu que todas as pessoas que me conhecem ou que convivem comigo me acham legal?
Nem Jesus Cristo (apelei agora...), santa criatura, agradou a todos. Porque cargas d’água eu, simples, porém vitaminada – e humilde – mortal deveria agradar?

Mas depois de toda essa tempestade de sentimentos por que passei em alguns minutos, ouvi:
- Na verdade tu não é chata, é só uma impressão que as pessoas tem de ti...tu é um doce de pessoa...

E então voltamos ao início do texto.
O que faz o amor, né não?
O amor me transformou de chata em potencial – mesmo não sendo, tá? – em uma pessoa doce, amável, agradável de conviver.
Porque isso? Porque o amor transforma.
Vai ver eu era uma chata mesmo, posso até me ver assim em certas situações.
Mas hoje, com amor e alegria no coração (nossa, isso dá um bom nome pra hino religioso...) e também com o que já vivi até aqui, me tornei uma pessoa melhor, mais tranqu
ila, menos exigente com coisas bobas, mais condescendente com aquilo que antes me irritava profundamente.
Enfim...
A ordem é viver, amar e se transformar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tremendo show! E em março!!!!


Viu como reclamar aos quatro cantos funciona?
Há alguns dias, resolvi reclamar publicamente da infâmia de, neste mês de março, todos os mais significativos shows musicais tenham aterrissado em solo gaúcho, impossibilitando a minha pessoa de assistir sequer um deles pela simples razão de terem, todos eles, ingressos a preços que cabem, nesta época do ano, somente no orçamento dos magnatas, ou dos mais organizados que eu, ou dos com menos filhos que eu, ou dos mais sortudos que eu....enfim...fazer o que?

Mas os anjos do compadecimento, da redenção e da benevolência devem ter escutado minhas lamúrias, minhas lamentações, meus chororôs, e resolveram me enviar, através do Jessé, um ingresso para o show dele, o amigo do Rei, o meu amigo Erasmo Carlos!
Ele mesmo, o Tremendão!
Quando?
Em MARÇO! Acredita?! Aos quarenta e cinco do segundo tempo!
E adivinhem onde?
Sim! Lá mesmo!
No Araújo Viana! Com sua cobertura fantástica e suas platéias subdivididas conforme a quantidade de dinheiro que você dispõe!
E o meu lugar?
Na platéia baixa central,viu? Eu disse central!
Sentei ao lado do Fogaça e sua mulher cantora, tá meu bem?

...
Breque:

Caro leitor: Esqueçamos aqui que o show era gratuito, em comemoração aos 241 anos de Porto Alegre...as pessoas iam a alguns postos de retiradas de ingressos e trocavam quilos de alimentos pelas entradas e coisa e tal...Porém isso não torna minha ida ao show menos glamourosa! 

...

Continuando:

Mas como se deu este milagre, Glau?
Ah, foi assim:
No domingo passado, deu-se o seguinte diálogo:
Jessé: Ganhei um ingresso pra ver o show do Erasmo Carlos, na terça, no Araújo Viana!
Glau: Ah...
Jessé: O Fulano me deu...
Glau: Que bom... (que bom pra ti, pensei....)
Jessé: Vou ver se consigo mais um...
Glau: Ahãm (foi que eu disse – mas o que eu pensei foi: Ahãm Cláudia, senta lá!)

E convenhamos, um diálogo onde a mulher só troca monossílabos...não é boa coisa...

Eu também quero ir no shoooooow, namorado!!!!
Em razão do DNA* destas lendas vivas da MPB, não se pode perder show algum deles.
Eu mesma tenho uma lista de vários shows que quero ir antes que certos artistas batam as botas.
*data de nascimento avançada

E eis que meu pop star particular conseguiu o tal ingresso!

Porém, quase que vai tudo por água abaixo!
Quase que a tosca criatura aqui perde esta, acredita?

Jessé me manda um email à tarde dizendo que o meu ingresso tá na mão, mas tenho que chegar lá às 20h30min.
Detalhe importante: Não olhei meus emails à tarde.
Chego em casa e nem ligo o netbook.
Estou sem carro também, porque emprestei pro meu pai...
Quando chego na minha humilde residência, nem sinal de pai, mãe, filha 1 e filha 2...
Um silêncio...
Tão bom o silêncio às vezes...
Lá pelas tantas, resolvo dar uma olhada no Face – recados, mensagens, notificações –  e, por descargo de consciência, dou uma olhadinha no email também.
Olha! Um email do meu amor...vou ver...deve ser pra dizer que me ama ou coisa parecida...vale a pena...

PQP!!!! Que horas são, cara$@#¨#&##(%&*%$$!!!!!!
19h15min!
Ligo pra ele. Combino. Tudo certo!

Mas cadê o carro?
Ligo pro pai, pra mãe, pras filhinhas, pra Dom Chico!
O papa atendeu, eles não...

Não! Nada de pânico!
Dá tempo!
Mas eu me conheço...na pressão, fico correndo atrás do rabo...um inferno!

Então num lampejo de lucidez e organização que não me habitam costumeiramente, fui me aprontando: me maquiei, escolhi e vesti a roupa, arrumei o cabelo e, neste meio tempo, como num milagre recebido pela determinação desta fiel que vos escreve, o carro chegou e me vi rumando para o show, ao encontro do meu amor, com ouvido,  mente e coração abertos para apreciar uma noite de rock vintage com o meu amigo...o meu amigo Eraaaaasmo Carlos!!!!




O show foi um verdadeiro passeio por todas as fases da vida dele, com sucessos como Sentado à Beira do Caminho, Minha Fama de Mau, e Mulher, além de um pout-pourri de Motel, como ele mesmo intitulou, com as músicas em parceria com Roberto Carlos, como Detalhes, Café da Manhã e Como É Grande o Meu Amor Por Você.

E como diz minha vizinha de platéia Isabela Fogaça:
Porto Alegre é demais!


sexta-feira, 8 de março de 2013

Março é show! E como!

Hoje me dei conta que armaram um complô perverso e sem coração contra nós, pessoas que tem certo bom gosto musical, mas que, em detrimento a diversos compromissos financeiros que se estampam logo no início do ano, como férias, carnaval, material escolar, matrículas de colégio, etc..., ficamos, como se diz aqui nos pampas, ‘mal das pernas’ de dinheiro.
Quando soube que Djavan estaria em Porto Alegre, em março, pensei: bom, de repente, comprando uma caixa de lápis de cor a menos e vendo as escolas de samba na TV ao invés de ir ao clube pular carnaval em círculos, possa sobrar algum dindin pra ir ao show cantar Sina e gritar ‘lindo, urrú!...
Ledo engano...ledo engano...ledo engano!
O show, que há alguns anos assisti no Araújo Viana, teatro popular e de resistência, e pelo qual paguei módicos R$ 40 reais, hoje está custando uma fortuna perante os meus dividendos, com faixas que vão dos 90 aos 140 pila, no mesmo Araújo Viana, porém agora com cobertura (de ouro, acho), e dividido em platéia central baixa, platéia central alta, platéia lateral baixa e platéia lateral alta – eu mereço...
O que não se faz pra arrancar dinheiro do povo ávido por algo que tenha mais de três acordes...
Bom, já estava resignada, quase tranqüila, por não poder ir djavanear quando, ao longo da semana ao ler os jornais do meu Rio Grande, deparar-me com o que chamei lá em cima de complô:
Todos os shows que eu gostaria de ir este ano, depois de estar mais ‘folgada das patas’ na minha conta bancária, todos eles serão em março. EM MARÇO!!!! Não um em abril, outros dois em junho, pra se poder escolher entre um e outro...mais um ótimo em agosto...
Não!
Não!
E não!
Todos (alguns) os meus ídolos resolveram vir em março para Porto Alegre!
Todos e muitos! Vários!
Milton Nascimento, Marisa Monte, Elton John, Maria Bethânia, Ney Matogrosso!!!!
Ah, por favor! Eu, hein? Olha, difícil de acreditar!
Alô, produção, é isso mesmo? É essa a agenda de março?
Ou os artistas em questão também estão quebrados em março e tiraram este mês pra repor suas economias, ou eles querem limar das platéias altas e baixas, as classes B, C, D e por aí vai.
Estou musicalmente chocada, triste, deprimida...
Não vou ver Djavan, com este preço é mais fácil aprender japonês em braile...
Não vou ver Milton, seus sons e seus tons geniais...
Não vou ver Marisa Monte, talvez depois, de passar tantos anos...
Não vou ver Maria Bethânia, ta combinado, é quase nada...
Não vou ver Ney Matogrosso, mas também nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem...
E não vi Elton John...I hope you don’t mind...
Não vou ver nada!
Vou baixar os shows, por no pen drive, fazer uma pipoca e assistir em casa, no camarote da Bohêmia - o único gasto que vou ter...com as cervejas...e depois de algumas delas vou até achar que estou na platéia baixa ou no fosso do teatro...

segunda-feira, 4 de março de 2013

Pecado Capital





Comprar é um vício.
Gastar dinheiro é um vício.
Um vício destes é totalmente cabível e confortável para aquelas pessoas que não tem um orçamento apertado como uma calça de brim Lee, da década de 70.
(Pros leitores mais novos não!, a calça Lee não é uma marca da centenária pop rock star Rita Lee. 
E sim!, brim coringa é igual a jeans, sem strech.)



Mas pros assalariados, classe B (ex-C), é um vício que se instala pra fud...çar a vida e a conta bancária da gente!

E adivinhem: pra minha falta de sorte, eu tenho este vício.
Mas você só tem este vício Glau?
Sim! Só este! E você acha pouco?

Os outros vícios que tenho não são vícios e sim manias adquiridas ao longo do tempo. E quanto mais se vive, manias vamos colecionamos pelo caminho: por o feijão em cima do arroz, dormir com a TV ligada, estender a calcinha lavada na janela do banheiro – herança passada em vida pra Maria Luiza – , sair no portão de casa e voltar porque esqueceu alguma coisa, tomar cerveja – é...talvez seja um vício...mas infinitamente menor do que gastar o que se tem e o que não se tem.



A questão é a seguinte: gastar é um vício maldito e indigno, que se instala em nosso ser num momento em que estamos totalmente distraídos e quando vemos estamos tomados pelo caboclo gastador.

Ele baixa no cavalo sem pedir licença, quando menos esperamos e justamente quando estamos perto de algo que não cabe no nosso bolso. E cega e alheia à realidade, a pessoa gasta os vinténs que tem (à vista) e que não tem (à prazo), sendo este o pior dos gastos, pois a criatura fica endividada por um período longo e doloroso...

Mas não doloroso o bastante para deixar o vício de lado.

E as coisas que compramos realmente são necessárias?
Posso dizer, como conhecedora de causa, que, na maioria das vezes, não.
‘Curar’ este vício não é difícil, mas também não é fácil...
Tem alguns truques e macetes que podem e devem! Ser feitos por um viciado em gastos. Eis alguns deles:
1º passo: Ir ao supermercado/farmácia/shopping/armazém/boteco com uma lista enxuta e precisa do que realmente você necessita.
2º passo: Sair com o dinheiro contado...porém, na era do dinheiro de plástico é complicado, mas não custa tentar...

3º passo: Quando deparar-se com algo que faça seus olhos brilharem, suas pernas tremerem e seu bolso derreter, devolva para a prateleira ou vendedora, vá para casa, deite a cabeça no travesseiro e reflita...mas reflita meixxxmo! Pese os prós e os contras, e não deixe sua mente agarrar-se aos prós, que geralmente são sedutores e ilusórios. Ajuda nesta reflexão cantar um mantra indiano forte, rezar uma novena ou tomar um Rivotril.



São muitos os passos e... (isso me lembra sapatos e...não!!!).

Poderia passar o resto do dia elencando outras tantas ações que ajudariam uma viciada a levar uma vida menos ordinária...

Mas me sentiria como a rapariga do filme ‘Delírios de Consumo de Becky Bloom”, onde a personagem Rebecca Bloomwood vira uma consultora de como sair do vermelho eliminando os gastos extras e, na verdade, ela mesma não segue seus próprios conselhos...




Quero dizer que da construção deste texto (no ano passado) até hoje, tenho conseguido me manter até bem comportada.

Porém, tem dias que o tambor daquele caboclo do consumo começa a tocar baixinho, longe...e de repente ele baixa!
E lá se vai por água abaixo listinhas, mantras e reflexões.

To começando a achar que isso não seja propriamente um vício, e sim uma possessão.

Próximo passo: exorcismo...



quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O Meu Namorado


Isso mesmo. Não é um título pra falar de ‘namorado’, no geral.
Não! É pra falar do meu mesmo.
É!!!!
Passei um tempo fora daqui e trago ótimas notícias!
Recebi, no início do ano, mais um título (sinto muito, mas estou acostumada a títulos, sou colorada...): o de namorada. 
Ai, ai (suspiro!).

Meu Namorado – assim mesmo, com letra maiúscula, porque ele é demais – disse que eu escrevo bem.  Que meu texto é envolvente e leve, mesmo quando o assunto é tenso. E olha que nas últimas postagens a coisa não estava para brincadeira.

Ah...mas opinião de namorado...não vale...

Aí é que você se engana, ingrato leitor!

Uma crítica dessas, vinda de alguém que escreve de verdade – e escreve muito bem – é digna de exibimento, até porque ele não é do tipo que sai distribuindo elogios por aí, e muito menos o faz por simpatia ou agrado a alguém, mesmo pra mim, que sou a namorada...
Quando ele não gosta ou não concorda, não adianta: não curte e não compartilha! Vai te dizer na lata! 

E eu gosto disso!

E viva o gosto de cada um! ...Tom Jobim e Fernanda Montenegro que o diga...

Mas tudo isso é pra dizer que:

1. estou namorando – e está tão bom que até me animei a voltar a escrever no fantasmablog...
2. talvez, quem sabe, de repente, eu volte a freqüentar* mais este endereço – sem promessas, e tal (veja post anterior...)
            * odeio a reforma do Lula, vou por trema em tudo e pronto!
3. meu namorado é um sujeito ocupado... – ah, mas não ia perder a oportunidade de cantar a musiquinha da Joanna nunca...perco o namorado mas não perco a piada! (brincadeirinha, namorado!)

Ai, eu me divirto...né Dissé?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Enchendo morcilha

Estou há quase dois meses sem postar.
Não vou mais mentir.
Certa vez disse que iria postar todos os dias...
Não postei.
Depois disse que iria postar não todos os dias, mas com mais frequencia.
Não funcionou.
Então tu acha que nesta postagem eu vou prometer alguma coisa?
Lógico que não!
Posso, na melhor das hipóteses, sei lá, me auto-sugerir postagens de 15 em 15 dias, ou quando a lua em vênus passar para saturno com sol em escorpião...
...só uma ideia...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Kátia Flávia, Godiva do Irajá


Uma coisa que há  muito tempo – uns seis ou sete anos, talvez... –  eu não fazia era comprar lingerie.
E que fique claro que estamos falando não daquelas peças úteis, confortáveis, comportadas e beges ou brancas ou pretas.
Não! Estamos falando em calcinhas, sutiãs e genéricos dessa natureza que foram criadas pra deixar mulheres e homens (assim espera-se) em estado de choque devido a profusão de cores, rendas, apelos e tudo mais.
Muito mais!!!!

Mas afinal de contas, porque as pessoas compram lingerie?
* Porque as velhas estão horríveis;
* Porque conheceu alguém interessante que merece ver uma calcinha e sutiã igualmente interessante;
* Porque, vá que dê uma coisa na gente na rua e tenham que tirar a nossa roupa, pelo menos a lingerie estará decente;
* Porque quando pendurar no varal não vai ficar com vergonha dos vizinhos do prédio ao lado;
* Porque gosta de ter sempre algo novo e sensual para ‘causar’;
* Porque não resiste a um modelito novo...
...e por aí vão as diversas razões pra se comprar lingerie.

As minhas razões tem a ver com algumas listadas acima. Não vou dizer quais, usem a imaginação! 
Mas digo que são quase todas elas...

A verdade é que tinha desacostumado a comprar estas peças tão importantes do nosso vestuário, digamos, secreto.

Então, como diz Lady Lee, ‘um belo dia resolvi mudar’.

E em meio à diversidade do Reino Frufru-Rendinha, enlouqueci com a babel de possibilidades de modelos, estampas, rendas, texturas, composições, fios-dental, caleçons, meias-taças, tomaras-que-caia, bodys, combinações, anáguas...Não! Pára! Tô louca! Essas duas últimas nem existem mais!

Quanto mais eu visualizava mentalmente minha gaveta - recheada de calcinhas pós-parto, sutiãs Darcy Pacheco-soluções de peso e bodys e cintas me-tirem-daqui-que-não-consigo-respirar - mais atraente e encantador se tornava aquele carrossel encantado de pequenas peças.

Comprei. Comprei bem e bonito. Vários tipos.
Me senti a própria Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, que, segundo Fausto Fawcett, só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas – dessas com armamentos bordados...

Então neste dia, deixei de rezar pra nossa Senhora do Elástico Frouxo e passei a ser devota de Nossa Senhora da Renda de Ouro!

Alô polícia!
Eu tô usando
Um Exocet - Calcinha!
Um Exocet - Calcinha!





segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Estreia Night Club, o musical


'Night Club, O Musical', estreia nesta sexta, dia 12, no Teatro de Arena, em Porto Alegre 

Suspense, mistério, humor, música e dança são os ingredientes deste thriller que pretende reviver a memória dos musicais em Porto Alegre



Night Club, O Musical”, produção da Cia. Ditirambo, estreia nesta sexta-feira, dia 12 de outubro, no Teatro de Arena, em Porto Alegre, cumprindo temporada até o dia 04 de novembro, sempre de sexta a domingo, às 20h. Vencedora do Prêmio de incentivo à Pesquisa em Artes Cênicas no Teatro de Arena, a peça é um thriller musical escrito e dirigido por Claudio Benevenga e aposta na versatilidade de três premiados artistas gaúchos, reconhecidos por seus talentos como atores-cantores: Denizeli Cardoso, Glau Barros e Pablo Capalonga.

O espetáculo conta a história de duas irmãs gêmeas, Milly (Denizeli) e Lilly (Glau), moças pobres que sonham em conquistar o sucesso como artistas. A trama se passa nos bastidores de uma famosa casa noturna paulista nos anos 30, o Night Club, de propriedade de Estevan Carron (Capalonga) e oferece os elementos tradicionalmente presentes neste gênero, como suspense, mistério, intriga, números musicais, humor e muita ação.

A formação de um triângulo amoroso entre as irmãs e Estevan Carron resulta no assassinato do empresário, o que desencadeia toda ação.  A narrativa costurada por números musicais cantados ao vivo pelos atores se dá de forma não linear, em que passado e presente se intercambiam, como em um quebra-cabeça, permitindo ao espectador reconstruir a história o tempo todo.    

Com “Night Club, O Musical”, a Cia. Ditirambo busca resgatar e investigar o gênero musical, valendo-se do talento e da experiência de três atores-cantores, diversas vezes premiados por suas atuações. “Pretendo reintroduzir à cena teatral gaúcha um gênero de espetáculo pouco explorado, mas que tem grande potencial para mobilizar plateias”, argumenta o diretor. Contabilizando 20 anos de experiência, o ator, diretor, autor e produtor teatral, Claudio Benevenga vem se destacando pela criação de comédias, nas quais se evidenciam o cuidado com a escolha do elenco e o acabamento da produção. O resultado disso tem sido o sucesso de público, o reconhecimento da crítica especializada e da classe artística , atestado por diversos prêmios Açorianos e Tibicuera, concedidos pela Prefeitura de Porto Alegre. Entre seus principais trabalhos destacam-se grandes sucessos do teatro gaúcho, tais como as comédias “Esse Pitéu é uma Parada”, “Como Emagrecer Fazendo Sexo...” e “Como Agarrar um Marido Antes dos 40”.


Ficha Técnica
Texto e direção: Claudio Benevenga
Elenco: Denizeli Cardoso, Glau Barros e Pablo Capalonga
Iluminação: Anilton Souza
Trilha Sonora: Everton Rodrigues
Preparação Vocal: Francis Padilha
Coreografias e preparação corporal: Saionara Sosa
Figurinos: Daniel Lion
Cenário: Claudio Benevenga
Fotos: Gerson de Oliveira
Cenotécnico: Miguel Lima
Costureira: Naray Pereira
Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu
Projeto Gráfico: Sandro Ka
Produção Executiva: Denizeli Cardoso e Claudio Benevenga
Realização: Cia. Ditirambo Cia. Cênica
Financiamento: Governo do Estado do Rio Grande do Sul / Secretaria de Estado da Cultura / Instituto Estadual de Artes Cênicas / Prêmio de incentivo à Pesquisa em Artes Cênicas no Teatro de Arena.

Serviço:
O quê: Estreia do thriller “Night Club, O Musical”, com Denizeli Cardoso, Glau Barros e Pablo Capalonga. Direção de Claudio Benevenga.
Onde: Teatro de Arena (Av. Borges de Medeiros, 835  Porto Alegre - RS, Fone: 51 3226-0242), Porto Alegre.
Quando: Estreia dia 12/10/12, sexta-feira, às 21h. Temporada de sexta a sábado, às  21h, e domingo, às 20h. Até 04 de novembro de 2012.
Quanto: R$ 10,00. Ingressos no local, 1 hora antes do início do espetáculo.
Informações:
Censura: 10 anos                
Duração: 1h20min
Convênio com Safe-Park


terça-feira, 2 de outubro de 2012

As mina pira

Tá bom!
Realmente peguei pesado no post de ontem...
Mas acho que é a segunda-feira e seu velho estigma de ser odiada e indesejada por todos.

Hoje vamos falar sobre homens.
Não do tipo que está protagonizando o post abaixo.
De repente até são desse tipo, mas como estão longe, eu com isso!

Como dizia uma escola de samba carioca em seu enredo maravilhoso:
"Sonhar não custa nada..."

E por falar em samba, vamos começar com o primeiro espécime masculino que merece figurar neste post que irá elencar "Os 10 homens mais 'as mina pira' deste e de todos os anos!"

Diogo Nogueira

Lázaro Ramos

Denzel Washington

Johnny Depp

Toni Garrido


Agora me caiu os 'butiá' do bolso!
Acredita que no meio da lista eu vi que não ia achar os 10 mais?
Só consegui lembrar destes 5 aí de cima.
Credo!
Agora me preocupei...
Ou é preguiça ou exigência ou descrédito total!
Vou pra cadeira do pensamento refletir sobre isso...

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Coração de pedra

Olha que eu não sou de me queixar da vida, até porque tenho pais maravilhosos, irmã de ouro, filhas fofíssimas, saúde pra dar e vender, emprego, salário (que dá ali, mas dá) e amigos muito, muito queridos, todos!

Mas de uns dias pra cá ando num "estado de nervos" (expressão que não diz nada, mas que todo mundo entende...e que quer dizer 'nervos à flor da pele' ou 'nervos em frangalhos' - no caso a segunda explicação está mais de acordo comigo...).

Em fevereiro, pra quem não sabe, me separei...
É...de novo...
E me deparei com uma casa pra dar conta, duas crianças pra educar|cuidar|vestir|brincar|fazer dormir, ter que trabalhar (em um novo lugar - estava há 15 anos no outro...), ensaiar, tocar um projeto de cd, e viver...

Meu ex, além de ir trabalhar numa casa noturna (maior concentração de disponíveis, gurizada, piriguetis e assemelhados), e encontrou lá um rabo-de-saia, ou dois, ou três, sei lá....só sei que, vivendo no mundo dos playboys e com toda a oferta que a 'night' dá, ele se deslumbrou e abandonou mulher (eu), filhas (uma de 1 ano) e casa (com diversas pendências pra resolver). Tudo isso, caro leitor, em troca de diversão, mulheres e agitos. Até brinco colocou e tênis da moda comprou...e pra dar o micha e ridículo dindin das filhas, é um parto...
Foi morar com a mamãe e viver uma vida de solteiro, livre, leve e solto, sem responsabilidades e com tempo pra fazer tudo que der na telha!
Que fácil assim, não é mesmo?

Mas Glau! Você é uma mulher forte, que se sustenta sozinha, vai tirar isso de letra!
Ah é? Vou mesmo?
Te digo com sinceridade: Não! Não consigo!
Sou fraca pra emoções e sentimentos. Me apego, gosto e amo com pensamento de 'pra sempre'...
Não entendo como, pela segunda vez, uma pessoa abandone tudo assim...
Uma vida a dois é cheia de altos e baixos, ainda mais com filhos...
Custa pensar com carinho nas pessoas que durante 9 anos conviveram contigo? Pensar que vai fazê-las sofrer de novo?
Pessoas e sentimentos verdadeiros não são descartáveis, porra!

Há meses venho fazendo a linha 'fina e forte', mas a verdade é que não tá dando...
Como não tenho pra quem me queixar - podia me queixar pro papa... - e também não quero estar dando preocupações e enchendo o saco dos amigos co uma torrente de problemas e lágrimas,venho aqui escrever e desabafar.
Como tenho aqui um lugar pra chamar de meu, o jeito é escrever...
Fica uma espécie de terapia (ajuda uma beirada!)
Às vezes alguém entra, lê e te dá um conselho, uma palavra reconfortadora, faz uma piada, e a gente esquece um pouco o problema cabeludo...

Apesar de tudo, continuo sendo uma pessoa alegre (por enquanto por fora) e uma boa companhia pra tomar uma cerveja e dar risada...
Pode me convidar, vai me fazer um bem...


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Glau canta Elis

Início de julho começamos a ensaiar.
Pra quem conhece um pouco da vida da Elis Regina, sabe da intensidade e genialismo dela que foi - e ainda é - uma das maiores cantoras de todos os tempos do mundo!
É uma ousadia, diria até um atrevimento, fazer um show com o repertório interpretado por ela.
Mas em certos assuntos sou assim mesmo: atrevida, ousada e outras vezes até um pouco impertinente.

No repertório, inicialmente, tinham umas 200 músicas!
Pra chegar em 20 foi um parto com dor. Mas nasceu...

O velho truque do pout-pourri salva...
Junta essa com aquela, um bloquinho de Milton, outro de samba,mais um de João Bosco, e neste caminho conseguimos deixar um repertório onde as pessoas vão ouvir as mais emblemáticas músicas cantadas pela Elis.

Claro, o fulano vai sair querendo ouvir tal e o sicrano aquela bem boa que diz assim...
Mas, mesmo que Elis descesse à terra hoje, com a permissão do pessoal do céu - ou de onde ela esteja - teria que ficar por aqui uns quinze dias, dia e noite, em cima de um palco pra cantar seu repertório inteiro.

Dia 4 de outubro, semana que vem, estamos lá na feira do Livro, no Teatro do Sesc, eu, Giovani e Catata, entoando as canções de Elis...

AGORA EU SOU UMA ESTRELA

Agora o braço não é mais o braço
erguido num grito de gol.
Agora o braço é uma linha, um traço,
um rastro espelhado e brilhante.
E todas as figuras são assim:
desenhos de luz, agrupamentos de pontos,
de partículas, um quadro de impulsos,
um processamento de sinais.
E assim - dizem - recontam a vida.
Agora retiram de mim a cobertura de carne,
escorrem todo o sangue, afinam os ossos
em fios luminosos e aí estou
pelo salão, pelas casas, pelas cidades,
parecida comigo.
Um rascunho,
uma forma nebulosa feita de luz e sombra
como uma estrela. Agora eu sou uma estrela.

Texto gravado por Elis Regina.




terça-feira, 25 de setembro de 2012

...


Um dia ela acordou e algo diferente passou pela sua cabeça.
Não estava cansada, nem depressiva, muito menos feliz.
Estava estagnada.
Presa numa vida que não fazia sentido pra ela.
Pra onde quer que se movesse, não iria a lugar algum.
As diversas vidas que, ao longo de sua existência, ela havia imaginado ou sonhado ou planejado, nenhuma deu as caras até agora.
A vida que levava era fragmentos de vidas desejadas.
Culpa de alguém?
Falta de vontade?
Rédea solta demais?
Medo?
Muitos podem ser os motivos pra que ela não esteja vivendo a seu gosto.
Só tinha uma certeza: precisava dar a esta vida uma direção que, daqui dez, vinte anos, ela não tivesse que sentir esta mesma sensação ao acordar...


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Encontro vintage


De uns dois anos pra cá, venho encontrando amig@s que há muito não via.
Não preciso entrar aqui no assunto “redes sociais” etc...etc...etc...mas com a ajuda do face, orkut (lembram desta rede do século passado?), linkedin (nem sei o que é, mas recebo convite adoidado dele) e outras modernidades internéticas, os encontros vintages passaram a ser cada vez mais freqüentes na vida da gente.

O fato é que naturalmente, com o passar do tempo, alguém que antes era unha-e-carne contigo, vira, de uma hora pra outra, algo parecido com a lembrança de um personagem de um livro bom que se leu há tempos atrás. No caso, o livro da nossa própria vida.

E a saudade que a gente sente às vezes nem é tanto da outra pessoa, e sim de nós mesmos. De como a gente era na época: mais inocente, mais divertida, mais disponível, com mais tempo pra jogar fora, mais desencanada, mais crédula nas pessoas e no futuro brilhante que me espera logo ali dobrando a esquina, com o coração mais ‘verde-amarelo-branco-azul anil’,mais...

Não que hoje eu seja menos...é que hoje sou mais outra coisas: mais bonita, mais experiente (vulgo: idade avançada; vulgo real: velha...), mais feliz por ser mãe de duas fofuxas lindas, mais profissional, mais intuitiva (e crédula em minhas intuições...), e mais um montão de outras coisas.

Ando nostalgia pura. Mas eu sempre fui nostálgica. Vivo numa eterna saudade...às vezes tenho saudade até de algo que não vivi.

Mas voltando ao assunto de reencontros, o melhor deles é quando se reencontra pessoas que, mesmo passando um tempão sem ver, parece que a última vez que se viu foi ontem. A energia é a mesma,as brincadeiras não se perderam no tempo, a empolgação ainda ta lá em cima....uma festa.
Isso só prova o quanto a pessoa tem haver com a gente.
Adooooro isso.

Ontem mesmo saí com uma pessoa que no passado até não tínhamos muita convivência, mas tínhamos muito em comum. E em meio a cerveja e boa conversa, rimos muito - de tudo e de todos, principalmente de todos – fizemos análises, rimos mais, ficamos sabendo como estão os amigos em comum que não vemos há tempo também, rimos de monte, revelamos segredos antigos – dos  outros, claro! – rimos mais ainda...e conforme a cerveja foi fazendo efeito, fomos gargalhando e até os nossos segredos foram sendo revelados também  - ai meu deus, o que foi que eu falei, mesmo?

Nada como olhar pra trás e perceber que temos uma vida boa...
As escolhas que fizemos talvez não fossem as mais acertadas, mas o que importa é a postura que temos diante daquilo que escolhemos.

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena...


domingo, 12 de agosto de 2012

Night Club, o musical


Comecei a ensaiar meu primeiro – de muitos, espero! – musical.
Ano passado, meu querido amigo Cláudio Benevenga me convidou pra encenar “Night Club”. O texto e a direção é dele. O elenco: Glau Barros, Denizele Cardoso e Pablo Capalonga.
Aqui no sul temos uma grande lacuna a ser preenchida neste gênero teatral. E não são todos os atores que possuem os três quesitos principais para trabalhar neste tipo de montagem: cantar, interpretar e dançar.
Tem que saber, não dá pra fazer de conta. Principalmente no que diz respeito ao canto.
Ou tu canta ou tu canta, amigo.
E imagina a pressão: cantar, interpretar o que canta e encaixar tudo isso numa coreografia, o mais gracioso, leve e preciso possível, pra que o trabalho fique impecável.
Os três escolhidos por Benevenga cantam, dançam e interpretam.
O trabalho é árduo, exige bastante, porém com uma equipe de profissionais de primeira, fica muito confortável e agradável participar de um projeto tão desafiador e, digamos, inovador aqui pelos pampas.
Cada dia de ensaio é uma descoberta bacana, fazendo com que eu anseie chegar o dia do ensaio pra ver quais desafios temos pela frente.
Nestes primeiros encontros, trabalhamos com poucas pessoas ainda.
Temos Suzi Martinez na assistência de direção, fiel escudeira do Bene, com seu olhar perspicaz e sua boa energia na condução dos ensaios. A Sayonara Sosa nas coreografias precisas e extremamente criativas (anotar: matar a... – desculpe...piada interna...rsrsrsrsrs), o Éverton Rodrigues e seus acordes,  ritmos preciosos e seu timing para musicais, e tudo isso sob a batuta franca e acolhedora do Cláudio.
É tudo muito bem construído, pensado, exigido.
E tem que ser mesmo.
Acostumamos ver musicais muito bem produzidos e encenados, com raras as exceções contrárias.
No imaginário do público, um musical é algo grandioso, envolvente, glamouroso, um mundo de sonhos.
Nós, os atores, o diretor e a equipe técnica, estamos todos de alma e coração abertos neste trabalho, empenhados para que este trhiller musical tenha todas estas características e muito mais.
Night Club, o musical, conta a história de duas irmãs gêmeas ingênuas e talentosas e um dono de cabaré ardiloso e sedutor, tudo ambientado nos anos 30.
Este espetáculo recebeu o Prêmio-montagem do Teatro de Arena, local de estreia do trabalho, no dia 5 de outubro.
Muita expectativa. Muito trabalho. Muita emoção. Muito foco. Muita garra.
Um musical é sempre assim...
...MUITO TUDO!


segunda-feira, 2 de julho de 2012

É o melhor para poder crescer...


Acabo de entrar em uma nova fase, digamos, gastronômica em minha vida.

Já passei por ela, há uns 6, 7 anos atrás e estou passando novamente, porém agora com muito mais emoção e cansaço.

Cecília está na idade de, independente onde formos, acompanhar sua família a todos os lugares extra-lar.

Com o crescimento do bebê, já não precisamos carregar mais toda a quantidade de bugigangas. Os itens que antes eram 50, com o passar do tempo cai para 48, 47...

Porém, dependendo do temperamento da criança, fica-se tentado a não sair de casa para refeições em restaurantes, reuniões familiares e outros eventos onde tenhamos que nos servir e comer – ato simples e que requer meio neurônio para fazê-lo, mas que, com uma criança nos braços, parece que não só não termos meio neurônio como também nunca o tivemos...

Sim, sou dramática!

Pois uma das minhas especialidades é sentar em frente ao prato e sorver com cerimônia e entusiasmo, como se fosse uma iguaria servida num hotel de luxo em Dubai, o mais simples feijão-com-arroz.

Quando Maria Luiza passou por esta fase, ao sairmos para comer fora, a minha turma era maior: tinha a vó, o vô, a bisa, a dinda, o pai...todos empenhados e felizes em dividir comigo a tarefa de alimentar a si mesmo e a Maluzinha,  que também era um docinho de coco, calma e festiva.

Hoje a realidade mudou. E me vejo estreita com a Cecília nos restaurantes. Aquela turma está menor, minha paciência idem e a menininha em questão, faz jus ao nome da novela do Vale a pena ver de novo: é um Chocolate Com Pimenta.

Parece que a figurinha, ao perceber que vai comer em outro lugar, maquina em sua cabecinha crespa: ah, vamos comer fora...vai ter show!

Ela grita porque não quer sentar na cadeirinha.
Ela berra porque a comida não chegou rápido.
Ela chora porque há um hiato entre uma colherada e outra.
Ela reclama (ou gritando ou chorando) porque terminou a comida.
Ela...
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
E a mamãe come quando?
Daqui uns 2 anos, talvez!

Filhos, mesmo gêmeos, nunca são iguais em personalidade.
Que ótimo!
Seria de uma chatice e de uma mesmice ímpar se fôssemos todos iguais, sem surpresas, sobressaltos e tudo mais.
E é aí que percebemos o quanto o amor de mãe é, realmente e sem sombra de dúvida, in-con-di-cio-nal!

A Maria Luiza com sua calma e doce personalidade, e a Cecília com seu forte e bravo jeito de ser, são os serzinhos mais amados e queridos que tenho nesta e nas outras vidas. Uma vez em nossas vidas, não sabemos mais seguir sem elas por perto.

Mas, por favor, avisem a Cecília que a mamãe tem fome também.


quinta-feira, 8 de março de 2012

Aviso da Lua Que Menstrua

Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com essa gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades 
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar 
mas é outro lugar, aí é que está: 
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita.. 
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente 
que vai cair no mesmo planeta panela. 
Cuidado com cada letra que manda pra ela! 
Tá acostumada a viver por dentro, 
transforma fato em elemento 
a tudo refoga, ferve, frita 
ainda sangra tudo no próximo mês. 
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou 
é que chegou a sua vez! 
Porque sou muito sua amiga 
é que tô falando na "vera" 
conheço cada uma, além de ser uma delas. 
Você que saiu da fresta dela 
delicada força quando voltar a ela. 
Não vá sem ser convidado 
ou sem os devidos cortejos.. 
Às vezes pela ponte de um beijo 
já se alcança a "cidade secreta" 
a Atlântida perdida. 
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela. 
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas 
cai na condição de ser displicente 
diante da própria serpente 
Ela é uma cobra de avental 
Não despreze a meditação doméstica 
É da poeira do cotidiano 
que a mulher extrai filosofando 
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso 
julgando a arte do almoço: Eca!... 
Você que não sabe onde está sua cueca? 
Ah, meu cão desejado 
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir 
então esquece de morder devagar 
esquece de saber curtir, dividir. 
E aí quando quer agredir 
chama de vaca e galinha. 
São duas dignas vizinhas do mundo daqui! 
O que você tem pra falar de vaca? 
O que você tem eu vou dizer e não se queixe: 
VACA é sua mãe. De leite. 
Vaca e galinha... 
ora, não ofende. Enaltece, elogia: 
comparando rainha com rainha 
óvulo, ovo e leite 
pensando que está agredindo 
que tá falando palavrão imundo. 
Tá, não, homem. 
Tá citando o princípio do mundo!

Elisa Lucinda